Mais um episódio envolvendo restrições à liberdade religiosa na China chamou atenção da comunidade cristã internacional. Uma grande igreja protestante localizada na cidade de Wenzhou, na província de Zhejiang, foi demolida por autoridades chinesas, segundo denúncias divulgadas pela organização ChinaAid.
O templo, conhecido como Igreja Yazhong — também chamada de Igreja Yayang — era uma congregação protestante não registrada oficialmente pelo governo chinês e vinha enfrentando pressão das autoridades desde o ano passado.
Operação envolveu prisões e isolamento da igreja
De acordo com relatos da ChinaAid, máquinas pesadas foram utilizadas para destruir completamente o prédio de vários andares. Antes da demolição, o local já havia sido cercado por agentes e pontos de controle foram instalados para impedir a entrada de membros da igreja e visitantes.
Em dezembro, mais de 100 cristãos ligados à congregação teriam sido detidos durante uma operação policial. Nas últimas semanas, a cruz vermelha instalada no topo do templo também foi retirada, enquanto lonas pretas cobriam a estrutura antes da demolição final.
Ainda segundo fontes locais, quatro membros da igreja foram presos durante a destruição do prédio. Fiéis que tentam comentar o caso ou compartilhar informações também estariam sendo interrogados pelas autoridades.
Tensão aumentou após resistência às exigências do governo
A perseguição contra a Igreja Yazhong teria se intensificado após líderes e membros da congregação se recusarem a seguir medidas impostas pelo Partido Comunista Chinês, como a instalação obrigatória da bandeira nacional dentro e fora do templo.
Em 2025, funcionários do governo chegaram a invadir o local para instalar um mastro com a bandeira chinesa, o que provocou protestos entre os cristãos da comunidade.
“Mesmo sem envolvimento político, qualquer igreja que não queira se submeter totalmente ao Estado acaba sendo silenciada pelo regime”, declarou Bob Fu, presidente da ChinaAid.
Wenzhou é conhecida como “Jerusalém da China”
A cidade de Wenzhou é conhecida internacionalmente por concentrar uma grande população cristã e, por isso, ganhou o apelido de “Jerusalém da China”.
Nos últimos anos, organizações internacionais vêm denunciando o aumento da repressão religiosa na região, especialmente contra igrejas independentes e grupos cristãos não ligados ao governo.
Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, a China aparece entre os países mais difíceis para cristãos exercerem sua fé livremente.
“Mais do que a perda de um prédio, o que preocupa é o avanço da repressão contra cristãos fiéis na região. Mas as orações não foram reduzidas a escombros”, afirmou Bob Fu.
